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CARTA PARA O TERCEIRO MILÊNIO
(aprovada no dia 9 de setembro
de 1999, em Londres, Grã-Bretanha, pela Assembléia Governativa
da REHABILITATION INTERNATIONAL)
Os direitos humanos básicos são
ainda rotineiramente negados a segmentos inteiros da população
mundial, nos quais se encontram muitos dos 600 milhões de
crianças, mulheres e homens que têm deficiência. Nós buscamos um
mundo onde as oportunidades iguais para pessoas com deficiência
se tornem uma conseqüência natural de políticas e leis sábias
que apóiem o acesso a plena inclusão em todos os aspectos da
sociedade.
O progresso científico e social no século 20 aumentou a
compreensão sobre o valor único e inviolável de cada vida.
Contudo, a ignorância, o preconceito, a superstição e o medo
ainda dominam grande parte das respostas da sociedade à
deficiência. No Terceiro Milênio, nós precisamos aceitar a
deficiência como uma parte comum da variada condição humana.
Estatisticamente, pelo menos 10%
de qualquer sociedade nascem com ¾ ou adquirem ¾ uma
deficiência; e aproximadamente uma em cada quatro famílias
possui uma pessoa com deficiência.
Nos países desenvolvidos e em
desenvolvimento, nos hemisférios norte e sul
do planeta, a segregação e a marginalização têm colocado pessoas
com
deficiência no nível mais baixo da escala sócio-econômica.
No século 21, nós precisamos
insistir nos mesmos direitos humanos e civis tanto para pessoas
com deficiência como para quaisquer outras pessoas.
O século 20 demonstrou que, com
inventividade e engenhosidade, é possível estender o acesso a
todos os recursos da comunidade, ambientes físicos, sociais e
culturais, transporte, informação, tecnologia, meios de
comunicação, educação, justiça, serviço público, emprego,
esporte e recreação, lotação e oração.
No século 21, nós precisamos
estender este acesso que poucos têm para muitos, eliminando
todas as barreiras ambientais, eletrônicas e atitudinais que se
anteponham à plena inclusão deles na vida comunitária. Com este
acesso poderão advir o estímulo à participação e à liderança, o
calor da amizade, as glórias da afeição compartilhada e as
belezas da Terra e do Universo.
A cada minuto, diariamente, mais e
mais crianças e adultos estão sendo acrescentados ao número de
pessoas cujas deficiências resultam do fracasso na prevenção das
doenças evitáveis e do fracasso no tratamento das condições
tratáveis. A imunização global e as outras estratégias de
prevenção não mais são aspirações; elas são possibilidades
práticas e economicamente viáveis. O que é necessário é a
vontade política, principalmente de governos, para acabarmos com
esta afronta à humanidade. Os avanços tecnológicos estão
teoricamente colocando, sob o controle humano, a manipulação dos
componentes genéticos da vida. Isto apresenta novas dimensões
éticas ao diálogo internacional sobre a prevenção de
deficiências.
No Terceiro Milênio, nós
precisamos criar políticas sensíveis que respeitem tanto a
dignidade de todas as pessoas como os inerentes benefícios e
harmonia derivados da ampla diversidade existente entre elas.
Programas internacionais de assistência ao desenvolvimento
econômico e social devem exigir padrões mínimos de
acessibilidade em todos os projetos de infra-estrutura,
inclusive de tecnologia e comunicações, a fim de assegurarem que
as pessoas com deficiência sejam plenamente incluídas na vida de
suas comunidades.
Todas as nações devem ter
programas contínuos e de âmbito nacional para reduzir ou
prevenir qualquer risco que possa causar impedimento,
deficiência ou incapacidade, bem como programas de intervenção
precoce para crianças e adultos que se tornarem deficientes.
Todas as pessoas com deficiência
devem ter acesso ao tratamento, à informação sobre técnicas de
auto-ajuda e, se necessário, à provisão de tecnologias
assistivas e apropriadas. Cada pessoa com deficiência e cada
família que tenha uma pessoa deficiente devem receber os
serviços de reabilitação necessários à otimização do seu
bem-estar mental, físico e funcional, assim assegurando a
capacidade dessas pessoas para administrarem sua vida com
independência, como o fazem quaisquer outros cidadãos.
Pessoas com deficiência devem ter
um papel central no planejamento de programas de apoio à sua
reabilitação; e as organizações de pessoas com deficiência devem
ser empoderadas com os recursos necessários para compartilhar a
responsabilidade no planejamento nacional voltado à reabilitação
e à vida independente.
A reabilitação baseada na
comunidade deve ser amplamente promovida nos níveis nacional e
internacional como uma forma viável e sustentável de prover
serviços.
Cada nação precisa desenvolver,
com a participação de organizações de e para pessoas com
deficiência, um plano abrangente que tenha metas e cronogramas
claramente definidos para fins de implementação dos objetivos
expressos nesta Carta.
Esta Carta apela aos
Países-Membros para que apóiem a promulgação de uma Convenção
das Nações Unidas sobre os Direitos das Pessoas com Deficiência
como uma estratégia-chave para o atingimento destes objetivos.
No Terceiro Milênio, a meta de
todas as nações precisa ser a de evoluírem para sociedades que
protejam os direitos das pessoas com deficiência mediante o
apoio ao pleno empoderamento e inclusão delas em todos os
aspectos da vida.
Por estas razões, a CARTA PARA O
TERCEIRO MILÊNIO é proclamada para que toda a humanidade entre
em ação, na convicção de que a implementação destes objetivos
constitui uma responsabilidade primordial de cada governo e de
todas as organizações não-governamentais e internacionais
relevantes.
CARTA PARA O TERCEIRO MILÊNIO.
Centro de Documentação e Informação do Portador de Deficiência –
CEDIPOD. Disponível em:
http://www.cedipod.org.br/Carta3m.htm. Acesso em 08 out 04.
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